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poesiatododia


o cultivo da flor

O CULTIVO DA FLOR

 

I

Amor rima com rancor

Mas não combina

Porque quem ama

Tem a sina

De saber que a dor

Mais funda

Só ensina.

E aprender é a única lição

Que ao amante lhe cabe

Pois quem ama de verdade

Ama amar o amor

Retirando a praga

Do rancor

Do jardim da saudade.

 

II

Assim como se aprende

A escrever lendo

Aprende-se a amar

Sofrendo.

Mas ai daquele que sofre

Sem amar.

É como o ignorante

A olhar as páginas

De um livro

Perdendo tempo

Se achando sabido.

 

III

Todo mundo quer amar

Todo mundo quer amor

E senti-lo profundamente

Mas é preciso aguar e cuidar

Todo dia

Para que o fruto da poesia

Germine da semente.

Já que só se pode dar a amar

Quem da ferida sabe tirar

Pelo mesmo caminho

A beleza da flor

E o rancor do espinho.

 

 



Escrito por rubens às 15h57
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Ode a Dioniso

Ode a Dioniso (em teu nome)

Daí-nos Dioniso
O vinho e o sexo
A crueldade e o prazer
Dai-nos de beber
O esperma, o sangue
E a eterna sede de querer
Esse desejo que não sacia
Esse açoite de horror
E fantasia
Essa bebida incessante da invenção
Infla de coragem nosso coração
Sofrido
Dai força aos homens de ação
Que vão pra guerra
Cantando em tua homenagem
uma canção da Terra
Ensina a fertilidade
Que o plantio da semente
rompendo o solo anuncia
em sua pele delicada e macia
nova estação a florir

Toca a esperança
Pela flauta de Pan
Pela fartura de pão
Onde a eterna musa
Ninfa, fada, mulher
Amada
Se deixa possuir
nessa língua molhada
Nessa errância safada
Que só se pode penetrar
Os que têm o dom
Para seguir
Aqui
E além
Amém


Escrito por rubens às 10h33
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mal de amor

mal de amor

não conter
o gosto desse desgosto
como se gozo fosse

apagar desse branco
o espanto do mel
com sabor de fel

quando o sal na aparência
engana cuspir fora
o que não é feito de cana

e na língua fria e
amarga que arde em dor
sorrir como se não fosse isso
mal de amor


Escrito por rubens às 00h45
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SÓ PARA CRÂNIOS

o ser é belo

Escrito por rubens às 00h09
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FOLHAS CAMINHANDO
FORMIGAS TRABALHANDO
DEBAIXO DA SOMBRA

Escrito por rubens às 00h08
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bonito q dói

http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs

women in art



Escrito por rubens às 14h43
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Apego à vida. Não às coisas da vida.

Sabendo que a vida é feita de coisas.  E o estado das coisas

é o de ser cru, frio, surdo, duro.

É preciso, pois, colocar poesia

- como se coloca óleo nas dobradiças das portas -

em todos os momentos da existência.

Enquanto nossas forças resistirem.



Escrito por rubens às 02h33
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Fome de pensar

 

O quê, então?

Está pensando com a boca? Com a boca do estômago?

Parou de pensar? Deixou de usar o tutano?

Tua inteligência é feita de gosma, liqüem, borra?

E logo nesta hora você vem dar de dono da situação? Vê se não apavora!

Em plena construção sou eu quem te faço, pedaço, percalço, bicho papão!

Saindo assim do papel, mata borrão.

Disfarce, ou te desfaço

Te apago, areia, com as próprias mãos

Você sou eu

E mais

Você nasceu, se comeu e seu sonho perdeu a razão.

Despertado com um soco na boca

Na boca do estômago

Cabeça oca

Servida no prato, tutano.

Mas não pra mim, sou vegetariano!

Logo, o que não existe, em mim pensa que sim

entra pelo cano

volta penando

e sai por aí

perdido.

Se achando.



Escrito por rubens às 01h44
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negócio perdido

q alca q nafta q nada

a madrugada inteira à procura

de coisas perdidas e achadas

sem saber o rumo da estrada

até a minha casa.

A rua trancada

a vida q passa

Passa a polícia passa o ladrão

passa o inimigo passa o irmão

 

E rolava um rock rolava um rap

um samba uma embolada

rolava um protesto um afeto

até rolava uma palavra

dita de boca fechada

 

q alfa q beta q gama q falta

q ama o tiro q mata?

A madrugada toda atrás de coisas perdidas

falsas imagens e ilusões frustradas

 

Saboreando inteiro o sabor de um sonho vazio

fazia frio

mas aqui por dentro

isso era o quente



Escrito por rubens às 12h56
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negócio perdido (continuação)

O q aquecia era o corte

da lâmina rente

deixando como presente o vento

e o silêncio de quem cala de susto

 

Todos os sentidos ligados

pêlos eriçados

abandonado à madrugada

sozinho, sem por q

afta nafta minh’alma jogada

minha mala roubada

sem caminho de volta pra casa

sem nenhuma causa a defender

 

Assim seremos assim sereno

assim viver assim morrer

como única via de acesso

ao sentido do momento

e logo em seguida

sem apego

ver tudo desaparecer.



Escrito por rubens às 12h55
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frases farsantes

ESTADO DE SÍTIO

E DE CHÁCARAS



Escrito por rubens às 12h47
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O Passar do Tempo

O passar do tempo 

“O tempo só anda de ida

A gente nasce, cresce, envelhece e morre.

Pra não morrer

É só amarrar o tempo no Poste.

Eis a ciência da Poesia:

Amarrar o tempo no Poste!”

Manoel de Barros

 

Mas há outros modos de

continuar vivendo além

da vida que a gente leva

E, dependendo do material

que cada um usa, pode duplicar

triplicar e, até, eternizar

uma vida.

 

A ciência da poesia tem seus mistérios

porque o tempo do poema

não se localiza na duração das coisas

mas na capacidade de tocar nossos sentimentos

e de encher nossos corações

e de abrir nossos olhos

 

Para a ciência da poesia

o bater de asas de um beija-flor

equivale à profundidade que chega

a raiz da sequóia

nas profundezas da mata.



Escrito por rubens às 15h21
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cont. final de O Passar do Tempo

 Disse o Cristo:

“Levantai a pedra e debaixo dela

encontrarás Deus”

Mas o poeta

Que não levanta a pedra

só por levantar

na pedra também sua poesia

faz brotar

Tornando-a mais leve

a quem a carrega

Ou, conforme o caso

fazendo-a até levitar

Seus dedos tocam

nessa hora

o próprio Deus

E ainda que a pedra desapareça

perdura ainda o poema

E nele, seu poeta.

 

Cristo, poeta maior, assim como Buda e Sócrates

nunca escreveram uma linha sequer

mas fizeram a ciência da poesia acontecer –

No bico do pássaro canoro

Na flor que voltava ao ramo

(desculpe o engano, era só uma borboleta!) –

amarrando o tempo no Poste.

 

E viva o poeta

vivo aos 90

que poderia chegar aos 180

Para dizer que a vida

acontece no exato instante

em que estamos atentos

ao passar do tempo

Onde tudo se cria.

 

Guaraqueçaba – 07/01/2007

 

 

 

 



Escrito por rubens às 15h19
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FANTASMA

(aos jovens nascidos no exílio)

 

Exilado, retirante e guerreiro

Sinto o cheiro da morte

e da vida pulando sobre

meu travesseiro

E não tenho saída

nem entrada

Só estrada para ir

caminho sem rumo

lugar que não vou

voltar

 

Sou o desterrado

O desenraizado

carrego uma semente na boca

e sinto o perfume das flores

em jardins cercados

por arames farpados

 

Pra lá não posso ir

Aqui não posso ficar

e não há como voltar

Fiquei muito tempo longe

não sou mais do lugar.

 

 



Escrito por rubens às 02h48
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Desculpa, que eu nao resisti....

 

SOFIA, MAS TOU NA MODA!



Escrito por rubens às 12h11
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