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O Passar do Tempo

O passar do tempo 

“O tempo só anda de ida

A gente nasce, cresce, envelhece e morre.

Pra não morrer

É só amarrar o tempo no Poste.

Eis a ciência da Poesia:

Amarrar o tempo no Poste!”

Manoel de Barros

 

Mas há outros modos de

continuar vivendo além

da vida que a gente leva

E, dependendo do material

que cada um usa, pode duplicar

triplicar e, até, eternizar

uma vida.

 

A ciência da poesia tem seus mistérios

porque o tempo do poema

não se localiza na duração das coisas

mas na capacidade de tocar nossos sentimentos

e de encher nossos corações

e de abrir nossos olhos

 

Para a ciência da poesia

o bater de asas de um beija-flor

equivale à profundidade que chega

a raiz da sequóia

nas profundezas da mata.



Escrito por rubens às 15h21
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cont. final de O Passar do Tempo

 Disse o Cristo:

“Levantai a pedra e debaixo dela

encontrarás Deus”

Mas o poeta

Que não levanta a pedra

só por levantar

na pedra também sua poesia

faz brotar

Tornando-a mais leve

a quem a carrega

Ou, conforme o caso

fazendo-a até levitar

Seus dedos tocam

nessa hora

o próprio Deus

E ainda que a pedra desapareça

perdura ainda o poema

E nele, seu poeta.

 

Cristo, poeta maior, assim como Buda e Sócrates

nunca escreveram uma linha sequer

mas fizeram a ciência da poesia acontecer –

No bico do pássaro canoro

Na flor que voltava ao ramo

(desculpe o engano, era só uma borboleta!) –

amarrando o tempo no Poste.

 

E viva o poeta

vivo aos 90

que poderia chegar aos 180

Para dizer que a vida

acontece no exato instante

em que estamos atentos

ao passar do tempo

Onde tudo se cria.

 

Guaraqueçaba – 07/01/2007

 

 

 

 



Escrito por rubens às 15h19
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FANTASMA

(aos jovens nascidos no exílio)

 

Exilado, retirante e guerreiro

Sinto o cheiro da morte

e da vida pulando sobre

meu travesseiro

E não tenho saída

nem entrada

Só estrada para ir

caminho sem rumo

lugar que não vou

voltar

 

Sou o desterrado

O desenraizado

carrego uma semente na boca

e sinto o perfume das flores

em jardins cercados

por arames farpados

 

Pra lá não posso ir

Aqui não posso ficar

e não há como voltar

Fiquei muito tempo longe

não sou mais do lugar.

 

 



Escrito por rubens às 02h48
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