Apego à vida. Não às coisas da vida.
Sabendo que a vida é feita de coisas. E o estado das coisas
é o de ser cru, frio, surdo, duro.
É preciso, pois, colocar poesia
- como se coloca óleo nas dobradiças das portas -
em todos os momentos da existência.
Enquanto nossas forças resistirem.
Escrito por rubens às 02h33
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Fome de pensar
O quê, então?
Está pensando com a boca? Com a boca do estômago?
Parou de pensar? Deixou de usar o tutano?
Tua inteligência é feita de gosma, liqüem, borra?
E logo nesta hora você vem dar de dono da situação? Vê se não apavora!
Em plena construção sou eu quem te faço, pedaço, percalço, bicho papão!
Saindo assim do papel, mata borrão.
Disfarce, ou te desfaço
Te apago, areia, com as próprias mãos
Você sou eu
E mais
Você nasceu, se comeu e seu sonho perdeu a razão.
Despertado com um soco na boca
Na boca do estômago
Cabeça oca
Servida no prato, tutano.
Mas não pra mim, sou vegetariano!
Logo, o que não existe, em mim pensa que sim
entra pelo cano
volta penando
e sai por aí
perdido.
Se achando.
Escrito por rubens às 01h44
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